terça-feira, 12 de outubro de 2010
Ensinando Língua Portuguesa
Esses slides apresentam considerações retiradas do capítulo referente à Língua Portuguêsa do livro "Ler e escrever, um compromisso de todas as áreas"

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Língua Portuguesa
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Não apenas o texto mas o diálogo em
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O Ensino da Matemática

Síntese dos capítulos de Matemática do livro “Ler e escrever : Compromisso de todas as áreas”
Ler, escrever e compreender a matemática, ao invés de tropeçar nos símbolos
A matemática desperta, em muitas pessoas, sentimentos desagradáveis, por ser considerada uma matéria de difícil compreensão. Ela geralmente é associada à ciência e muitos acreditam que poucos podem compreendê-la, devido à sua complexidade, apesar de estar sempre presente no nosso dia-a-dia.
Esta visão distorcida da matemática ocorre devido ao modo como as escolas vêm trabalhando com esta disciplina, pois ela é ensinada sem que haja a preocupação de estabelecerem-se vínculos com a realidade, nem com o cotidiano do aluno.
A matemática ocupa um espaço muito importante em nossa comunicação, como também nos permite entender e compreender o contexto social, bem como, o mundo em que vivemos.
Para que possamos expor nossas idéias ou formular mentalmente aspectos da nossa realidade, transformando-as em conceitos, temos que utilizar uma variedade de elementos de comunicação, que são chamados de símbolos, e estes constituem a linguagem matemática. A linguagem matemática está presente em quase todas as áreas do conhecimento, por isso, dominá-las passou a ser necessário, considerado o contexto do dia-a-dia.
A escola tem fracassado no papel de ensinar matemática e, decorrente disso, alguns alunos não conseguem saciar as dificuldades e acabam evadindo a escola, enquanto que outros, mesmo continuando na escola, não conseguem romper com o analfabetismo matemático.
Para ser alfabetizado em matemática, precisa-se entender o que se lê e o que se escreve, sem perder a dimensão social e cultural, indo-se em busca da significação do ato de ler e escrever, presentes nas práticas diárias. Quando o aluno entra na comunicação escrita, está na hora de entrarmos no mundo dos símbolos matemáticos. Desta forma, a criança vai elaborando os conceitos e adquirindo o vocabulário correspondente, apropriando-se da utilização dessas simbologias.
Da linguagem aritmética à linguagem algébrica: dos números para as letras
Os alunos, desde as primeiras séries do ensino fundamental, trabalham a matemática somente através de números. No momento de aprender álgebra, na 6ª série do ensino fundamental, entram em contato com as letras dentro de um cálculo matemático, passando, geralmente a apresentar alguma dificuldade em resolvê-lo.
Na álgebra, as letras são utilizadas como estratégia para resolver uma incógnita, mas para o aluno, acostumado a utilizar apenas números, esse simbolismo é de difícil compreensão e assimilação.
Símbolos
Na aritmética, o sinal de igual, por exemplo, é utilizado de forma unidimensional, ou seja, à esquerda indica a operação e à direita, o resultado. Na álgebra, o sinal de igual é utilizado para conectar o problema, apresentando um caráter bidimensional, ou seja, atuando tanto da direita para a esquerda quanto da esquerda para a direita.
Aritmética Álgebra
2 x 2 = 4 x² - 4=0
Letras
A dificuldade encontrada pelos alunos que estão aprendendo álgebra está em entender o uso e o significado das letras. Essa dificuldade também está relacionada com a concepção de número e não somente à introdução da letra no cálculo.
É importante que o professor mostre ao aluno e o faça entender o conceito de que, na álgebra, as letras funcionam como variáveis, mostrando a ele diversos cálculos contendo letras e explicando o significado de cada uma delas.
Ex:
3a + 5b + 8a – 2b =
Neste caso, a letra não tem significado, funciona como um objeto.
Variáveis
O professor deve fazer com que o aluno compreenda que a letra como uma variável representa um conjunto de valores não específicos.
Para que o aluno compreenda este conceito são necessários 2 processos:
• Generalização: permite passar de um conjunto de situações concretas a algum aspecto comum a todas elas.
• Simbolização: permite expressar de forma abreviada o que têm em comum todas as situações.
O professor deve apresentar diferentes situações para que o aluno possa identificar o conceito de variável, para assim, poder generalizá-lo.
A álgebra é uma linguagem, e o professor deve ensinar sua tradução: da linguagem natural à linguagem algébrica e vice-versa. Sua aprendizagem ocorre quando o aluno compreende o uso dessa linguagem, deixando apenas de utilizá-la como manipulação de símbolos.
Ao corrigir os exercícios de seus alunos, o professor deve analisar como e porquê o aluno está errando, indo em busca das causas do erro e das dificuldades que estão sendo encontradas, para então, trabalhar de forma que o aluno possa reordenar e reorganizar seus conhecimentos prévios passando, então, a assimilar esses novos conhecimentos.
Leitura e escrita na matemática
A matemática geralmente é vista somente em seu aspecto formal e em sua linguagem simbólica; com isso ela acabando ficando isolada da história dos homens e é tida como um complexo quebra-cabeça. Além disso, todos nós sabemos dizer se gostamos ou não de matemática, porém na hora de conceituá-la fica mais complicado.
Ler matemática
Os sujeitos não-matemáticos tem dificuldades para compreender a linguagem e o conteúdo da matemática, visto que esses se confundem, mesmo assim todos as pessoas reconhecem que ela é importante. Isso ocorre pois a matemática está presente em vários lugares/situações, entretanto essa área de conhecimento é uma das mais incompreendidas pela população e que tem altos índices de reprovação na escola.
O texto aponta três principais dificuldades com a matemática:
1) Desconhecer os limites da mesma;
2) Não compreender sua relação com as outras áreas de conhecimento;
3) Impossibilidade de leitura e escrita dessa linguagem.
A linguagem matemática é universal nas escolas e seu ensino é incluído em todos os currículos, no entanto os povos a utilizam em diversas atividades que nem sempre aparecem nos currículos escolares.
Essa área do conhecimento possui uma linguagem repleta de símbolos a qual, muitas vezes, é tida como único meio de representar ideias e resultados; mas, a autora diz que experiências feitas com crianças mostraram que é importante passar por linguagens diferentes (como a língua materna e a linguagem com imagens) ao ensinar conceitos matemáticos. Muitas pessoas não compreendem um conteúdo, não dizem o que sabem dessa área ou não fazem matemática devido à linguagem utilizada (e seus vários símbolos), por isso apresentam dificuldade em ler e escrever na linguagem matemática. Para isso o texto apresenta duas soluções:
a) Utilizar a linguagem habitual para escrever e explicar resultados matemáticos;
b) Auxiliar as pessoas a compreenderem os símbolos, sinais e notações.
Ler é compreender o que está escrito e não apenas decodificar os sinais apresentados; o ato de leitura não pode ser memorização e sim compreensão a qual deve sempre ser trabalhada já que não acontece por acaso. Outro ponto importante, mas talvez pouco explorado, é o contexto da matemática em que está o conteúdo trabalhado e qual sua relação com o mundo.
Concepções sobre apropriação da realidade
A realidade deve ser vista de forma abrangente, porque está sempre em movimento, nada está parado ou acabado e por trás das representações existe uma essência ativa que não pode reduzir-se a totalidade absoluta, mesmo que essa seja a natureza. Também é preciso, segundo o texto, ter consciência de que o ser humano vive simultaneamente na natureza e na história.
O cientificismo é alicerçado em dogmas, como “só é verdadeiro e real o conhecimento científico”, “o conhecimento deve ser dividido em partes/especialidades” (na sua transmissão e desenvolvimento) e “o conhecimento tem como base unicamente a razão”. Sendo assim as reflexões sobre o homem e seu lugar no mundo são ignoradas, bem como as explicações sobre origem e causa de fenômenos. Esse tipo de conhecimento é metafísico e, segundo a autora, não tem valor teórico.
Na história poderemos descobrir a grandeza fundamental da realidade humana e o indivíduo que decide fazer isso deverá assumir-se como ser social (suas ações e opções estão ligadas e são impostas pelo meio em que está inserido e do qual depende), como ser histórico (que age e influencia o meio num determinado momento histórico) e como pesquisador (que busca a origem/essência das representações da realidade).
A corrente positivista reduziu a compreensão da realidade ao mundo físico/quantificável, todavia existem outros como o artístico, o biológico, o psicológico, etc. Para entender cada aspecto desses é necessário ter uma intencionalidade; então para compreender a matemática e a realidade por ela introduzida, por exemplo, é preciso ter uma intenção especial voltada para essa área de conhecimento.
A matemática parece estar afastada da cultura e história dos homens, surgindo apenas em seu mundo simbólico, contudo sua evolução ao longo dos tempos partiu de um conceito metodológico empírico (a matemática estava ligada a cultura e a sociedade da época) para as características de ciência extremamente simbólica (rigor lógico e excesso de formalismo). Há uma ruptura entre teoria e prática; a partir do matemático Euclides, passam a conceber a matemática como algo abstrato, teórico, que tem preocupação com o raciocínio e a exatidão da forma. As mudanças matemáticas são consequência de fatores sociais que estão relacionados ao trabalho criativo de pesquisadores que vivem em determinada época.
Observa-se que, partindo da época de Euclides, as prioridades da matemática estão ligadas a expansão da pesquisa que se dá por meio do método de dedução. Isso acontece para construir um modelo formal e racional (que seja isento de contradições) que analisa questões teóricas e busca aperfeiçoar a linguagem simbólica que utiliza.
Aparentemente o que é valorizado é simbólico e abstrato, porém isso não quer dizer que o conteúdo de matemática seja somente isso e sim que ele se apresenta desse jeito; logo, a maioria dos sujeitos não tem acesso a esse tipo de conhecimento. Resumindo, os matemáticos acabaram por construir muitas teorias que dispensam a realidade dos seres humanos e essa área do conhecimento é tida como auto-suficiente.
Crítica ao formalismo matemático
A autora destaca a influência de três tendências distintas dentro da matemática, as quais são dirigidas pelas correntes filosóficas do logicismo, intuicionismo e formalismo; essas são resultado de contradições teóricas que acontecem com o passar dos anos.
A matemática vem avançando e sendo aprimorada, bem como seus resultados vem dando ótimas contribuições para a sociedade no que diz respeito à utilidade em outras áreas e ao desenvolvimento tecnológico.
Ao criticar o formalismo é preciso mostrar que ele extingue elementos que expressariam a matemática como construção do ser humano, na qual encontramos contradições, caminhos alternativos e não podemos comprovar o caráter neutro e objetivo dessa área do conhecimento. Portanto, a matemática formalizada dos livros escolares é bem rígida e abstrata, além disso, nessa teoria não há espaço para a história da descoberta, não se abrange os erros e muito menos fazer novas descobertas.
Os teoremas precisam ser explicados e para isso é necessário fazer uso de um tipo de raciocínio que inicia em noções primitivas (verdades evidentes) e se desenvolve por meio de uma rede de deduções.
Escrever matemática
A autora salienta que todos os indivíduos devem participar do processo de criação visto que essa experiência resulta em encanto e prazer. Entretanto, a escola geralmente não valoriza as representações espontâneas que as crianças possuem e a escrita vem de fora, é imposta pelos professores.
Assim também acontece com a linguagem matemática a qual é imposta para alunos de todos os níveis escolares. Ao invés de deixar os alunos criarem hipóteses, os professores muitas vezes ensinam passo a passo como fazer e realizam muitos exercícios parecidos a fim de que os alunos fixem o que foi ensinado.
Há diferenças entre a linguagem comum (usada no cotidiano) e a linguagem matemática (é muito precisa e deveria facilitar o registro do conhecimento científico) e até o aluno ter capacidade para utilizar essa linguagem formalizada é necessário que ele compreenda o significado de conceitos e/ou teorias trabalhados. Também é preciso que o aluno consiga falar e escrever sobre o conceito/teoria na linguagem habitual para depois transpô-lo para a linguagem simbólica.
Como bem sabemos existem conhecimentos científicos e populares, mas geralmente só o primeiro tipo é valorizado; para a autora esses conhecimento são únicos e sua diferença consiste no jeito de perceber e analisar o objeto de estudo.
Para averiguar que o conhecimento matemático tem um objeto real que não se desenvolve somente no plano das ideias ou no nível simbólico, é necessário resgatar a história da matemática e sua construção ao longo do tempo. É preciso ter consciência de que os conhecimentos científicos, dentre eles o matemático, colaboram para que o ser humano compreenda melhor a sua realidade.
A matemática é fruto de construções humanas e seu ensino não pode deter-se as teorias formalizadas; é preciso revelar a ligação entre essa área do conhecimento e as demais áreas, bem como sua relação com o mundo e sua inclusão na realidade histórico-social. Ensinar matemática é criar meios para que os alunos possam ser capazes de construir conhecimentos e agirem ininterruptamente como pesquisadores.
Ler, escrever e compreender a matemática, ao invés de tropeçar nos símbolos
A matemática desperta, em muitas pessoas, sentimentos desagradáveis, por ser considerada uma matéria de difícil compreensão. Ela geralmente é associada à ciência e muitos acreditam que poucos podem compreendê-la, devido à sua complexidade, apesar de estar sempre presente no nosso dia-a-dia.
Esta visão distorcida da matemática ocorre devido ao modo como as escolas vêm trabalhando com esta disciplina, pois ela é ensinada sem que haja a preocupação de estabelecerem-se vínculos com a realidade, nem com o cotidiano do aluno.
A matemática ocupa um espaço muito importante em nossa comunicação, como também nos permite entender e compreender o contexto social, bem como, o mundo em que vivemos.
Para que possamos expor nossas idéias ou formular mentalmente aspectos da nossa realidade, transformando-as em conceitos, temos que utilizar uma variedade de elementos de comunicação, que são chamados de símbolos, e estes constituem a linguagem matemática. A linguagem matemática está presente em quase todas as áreas do conhecimento, por isso, dominá-las passou a ser necessário, considerado o contexto do dia-a-dia.
A escola tem fracassado no papel de ensinar matemática e, decorrente disso, alguns alunos não conseguem saciar as dificuldades e acabam evadindo a escola, enquanto que outros, mesmo continuando na escola, não conseguem romper com o analfabetismo matemático.
Para ser alfabetizado em matemática, precisa-se entender o que se lê e o que se escreve, sem perder a dimensão social e cultural, indo-se em busca da significação do ato de ler e escrever, presentes nas práticas diárias. Quando o aluno entra na comunicação escrita, está na hora de entrarmos no mundo dos símbolos matemáticos. Desta forma, a criança vai elaborando os conceitos e adquirindo o vocabulário correspondente, apropriando-se da utilização dessas simbologias.
Da linguagem aritmética à linguagem algébrica: dos números para as letras
Os alunos, desde as primeiras séries do ensino fundamental, trabalham a matemática somente através de números. No momento de aprender álgebra, na 6ª série do ensino fundamental, entram em contato com as letras dentro de um cálculo matemático, passando, geralmente a apresentar alguma dificuldade em resolvê-lo.
Na álgebra, as letras são utilizadas como estratégia para resolver uma incógnita, mas para o aluno, acostumado a utilizar apenas números, esse simbolismo é de difícil compreensão e assimilação.
Símbolos
Na aritmética, o sinal de igual, por exemplo, é utilizado de forma unidimensional, ou seja, à esquerda indica a operação e à direita, o resultado. Na álgebra, o sinal de igual é utilizado para conectar o problema, apresentando um caráter bidimensional, ou seja, atuando tanto da direita para a esquerda quanto da esquerda para a direita.
Aritmética Álgebra
2 x 2 = 4 x² - 4=0
Letras
A dificuldade encontrada pelos alunos que estão aprendendo álgebra está em entender o uso e o significado das letras. Essa dificuldade também está relacionada com a concepção de número e não somente à introdução da letra no cálculo.
É importante que o professor mostre ao aluno e o faça entender o conceito de que, na álgebra, as letras funcionam como variáveis, mostrando a ele diversos cálculos contendo letras e explicando o significado de cada uma delas.
Ex:
3a + 5b + 8a – 2b =
Neste caso, a letra não tem significado, funciona como um objeto.
Variáveis
O professor deve fazer com que o aluno compreenda que a letra como uma variável representa um conjunto de valores não específicos.
Para que o aluno compreenda este conceito são necessários 2 processos:
• Generalização: permite passar de um conjunto de situações concretas a algum aspecto comum a todas elas.
• Simbolização: permite expressar de forma abreviada o que têm em comum todas as situações.
O professor deve apresentar diferentes situações para que o aluno possa identificar o conceito de variável, para assim, poder generalizá-lo.
A álgebra é uma linguagem, e o professor deve ensinar sua tradução: da linguagem natural à linguagem algébrica e vice-versa. Sua aprendizagem ocorre quando o aluno compreende o uso dessa linguagem, deixando apenas de utilizá-la como manipulação de símbolos.
Ao corrigir os exercícios de seus alunos, o professor deve analisar como e porquê o aluno está errando, indo em busca das causas do erro e das dificuldades que estão sendo encontradas, para então, trabalhar de forma que o aluno possa reordenar e reorganizar seus conhecimentos prévios passando, então, a assimilar esses novos conhecimentos.
Leitura e escrita na matemática
A matemática geralmente é vista somente em seu aspecto formal e em sua linguagem simbólica; com isso ela acabando ficando isolada da história dos homens e é tida como um complexo quebra-cabeça. Além disso, todos nós sabemos dizer se gostamos ou não de matemática, porém na hora de conceituá-la fica mais complicado.
Ler matemática
Os sujeitos não-matemáticos tem dificuldades para compreender a linguagem e o conteúdo da matemática, visto que esses se confundem, mesmo assim todos as pessoas reconhecem que ela é importante. Isso ocorre pois a matemática está presente em vários lugares/situações, entretanto essa área de conhecimento é uma das mais incompreendidas pela população e que tem altos índices de reprovação na escola.
O texto aponta três principais dificuldades com a matemática:
1) Desconhecer os limites da mesma;
2) Não compreender sua relação com as outras áreas de conhecimento;
3) Impossibilidade de leitura e escrita dessa linguagem.
A linguagem matemática é universal nas escolas e seu ensino é incluído em todos os currículos, no entanto os povos a utilizam em diversas atividades que nem sempre aparecem nos currículos escolares.
Essa área do conhecimento possui uma linguagem repleta de símbolos a qual, muitas vezes, é tida como único meio de representar ideias e resultados; mas, a autora diz que experiências feitas com crianças mostraram que é importante passar por linguagens diferentes (como a língua materna e a linguagem com imagens) ao ensinar conceitos matemáticos. Muitas pessoas não compreendem um conteúdo, não dizem o que sabem dessa área ou não fazem matemática devido à linguagem utilizada (e seus vários símbolos), por isso apresentam dificuldade em ler e escrever na linguagem matemática. Para isso o texto apresenta duas soluções:
a) Utilizar a linguagem habitual para escrever e explicar resultados matemáticos;
b) Auxiliar as pessoas a compreenderem os símbolos, sinais e notações.
Ler é compreender o que está escrito e não apenas decodificar os sinais apresentados; o ato de leitura não pode ser memorização e sim compreensão a qual deve sempre ser trabalhada já que não acontece por acaso. Outro ponto importante, mas talvez pouco explorado, é o contexto da matemática em que está o conteúdo trabalhado e qual sua relação com o mundo.
Concepções sobre apropriação da realidade
A realidade deve ser vista de forma abrangente, porque está sempre em movimento, nada está parado ou acabado e por trás das representações existe uma essência ativa que não pode reduzir-se a totalidade absoluta, mesmo que essa seja a natureza. Também é preciso, segundo o texto, ter consciência de que o ser humano vive simultaneamente na natureza e na história.
O cientificismo é alicerçado em dogmas, como “só é verdadeiro e real o conhecimento científico”, “o conhecimento deve ser dividido em partes/especialidades” (na sua transmissão e desenvolvimento) e “o conhecimento tem como base unicamente a razão”. Sendo assim as reflexões sobre o homem e seu lugar no mundo são ignoradas, bem como as explicações sobre origem e causa de fenômenos. Esse tipo de conhecimento é metafísico e, segundo a autora, não tem valor teórico.
Na história poderemos descobrir a grandeza fundamental da realidade humana e o indivíduo que decide fazer isso deverá assumir-se como ser social (suas ações e opções estão ligadas e são impostas pelo meio em que está inserido e do qual depende), como ser histórico (que age e influencia o meio num determinado momento histórico) e como pesquisador (que busca a origem/essência das representações da realidade).
A corrente positivista reduziu a compreensão da realidade ao mundo físico/quantificável, todavia existem outros como o artístico, o biológico, o psicológico, etc. Para entender cada aspecto desses é necessário ter uma intencionalidade; então para compreender a matemática e a realidade por ela introduzida, por exemplo, é preciso ter uma intenção especial voltada para essa área de conhecimento.
A matemática parece estar afastada da cultura e história dos homens, surgindo apenas em seu mundo simbólico, contudo sua evolução ao longo dos tempos partiu de um conceito metodológico empírico (a matemática estava ligada a cultura e a sociedade da época) para as características de ciência extremamente simbólica (rigor lógico e excesso de formalismo). Há uma ruptura entre teoria e prática; a partir do matemático Euclides, passam a conceber a matemática como algo abstrato, teórico, que tem preocupação com o raciocínio e a exatidão da forma. As mudanças matemáticas são consequência de fatores sociais que estão relacionados ao trabalho criativo de pesquisadores que vivem em determinada época.
Observa-se que, partindo da época de Euclides, as prioridades da matemática estão ligadas a expansão da pesquisa que se dá por meio do método de dedução. Isso acontece para construir um modelo formal e racional (que seja isento de contradições) que analisa questões teóricas e busca aperfeiçoar a linguagem simbólica que utiliza.
Aparentemente o que é valorizado é simbólico e abstrato, porém isso não quer dizer que o conteúdo de matemática seja somente isso e sim que ele se apresenta desse jeito; logo, a maioria dos sujeitos não tem acesso a esse tipo de conhecimento. Resumindo, os matemáticos acabaram por construir muitas teorias que dispensam a realidade dos seres humanos e essa área do conhecimento é tida como auto-suficiente.
Crítica ao formalismo matemático
A autora destaca a influência de três tendências distintas dentro da matemática, as quais são dirigidas pelas correntes filosóficas do logicismo, intuicionismo e formalismo; essas são resultado de contradições teóricas que acontecem com o passar dos anos.
A matemática vem avançando e sendo aprimorada, bem como seus resultados vem dando ótimas contribuições para a sociedade no que diz respeito à utilidade em outras áreas e ao desenvolvimento tecnológico.
Ao criticar o formalismo é preciso mostrar que ele extingue elementos que expressariam a matemática como construção do ser humano, na qual encontramos contradições, caminhos alternativos e não podemos comprovar o caráter neutro e objetivo dessa área do conhecimento. Portanto, a matemática formalizada dos livros escolares é bem rígida e abstrata, além disso, nessa teoria não há espaço para a história da descoberta, não se abrange os erros e muito menos fazer novas descobertas.
Os teoremas precisam ser explicados e para isso é necessário fazer uso de um tipo de raciocínio que inicia em noções primitivas (verdades evidentes) e se desenvolve por meio de uma rede de deduções.
Escrever matemática
A autora salienta que todos os indivíduos devem participar do processo de criação visto que essa experiência resulta em encanto e prazer. Entretanto, a escola geralmente não valoriza as representações espontâneas que as crianças possuem e a escrita vem de fora, é imposta pelos professores.
Assim também acontece com a linguagem matemática a qual é imposta para alunos de todos os níveis escolares. Ao invés de deixar os alunos criarem hipóteses, os professores muitas vezes ensinam passo a passo como fazer e realizam muitos exercícios parecidos a fim de que os alunos fixem o que foi ensinado.
Há diferenças entre a linguagem comum (usada no cotidiano) e a linguagem matemática (é muito precisa e deveria facilitar o registro do conhecimento científico) e até o aluno ter capacidade para utilizar essa linguagem formalizada é necessário que ele compreenda o significado de conceitos e/ou teorias trabalhados. Também é preciso que o aluno consiga falar e escrever sobre o conceito/teoria na linguagem habitual para depois transpô-lo para a linguagem simbólica.
Como bem sabemos existem conhecimentos científicos e populares, mas geralmente só o primeiro tipo é valorizado; para a autora esses conhecimento são únicos e sua diferença consiste no jeito de perceber e analisar o objeto de estudo.
Para averiguar que o conhecimento matemático tem um objeto real que não se desenvolve somente no plano das ideias ou no nível simbólico, é necessário resgatar a história da matemática e sua construção ao longo do tempo. É preciso ter consciência de que os conhecimentos científicos, dentre eles o matemático, colaboram para que o ser humano compreenda melhor a sua realidade.
A matemática é fruto de construções humanas e seu ensino não pode deter-se as teorias formalizadas; é preciso revelar a ligação entre essa área do conhecimento e as demais áreas, bem como sua relação com o mundo e sua inclusão na realidade histórico-social. Ensinar matemática é criar meios para que os alunos possam ser capazes de construir conhecimentos e agirem ininterruptamente como pesquisadores.
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
O ensino da geografia nas escolas
Esta análise reflexiva foi elaborada a partir dos textos “Ler e escrever a geografia para dizer a sua palavra e construir o seu espaço” e “Ler a paisagem, o mapa, o livro...Escrever nas linguagens da geografia”, extraídos da obra “Ler e Escrever – Compromisso de todas as áreas”, organizado por Iara Conceição Bitencourt Neves, Jusamara Vieira Souza, Neiva Otero Schäffer, Paulo Coimbra Guedes e Renita Klüsener.- ANÁLISE REFLEXIVA
O ensino da geografia nas escolas tem se alicerçado em conteúdos pré estabelecidos como: relevo, clima, vegetação, população e economia dos lugares, que são abordados de forma solta, ou seja, o professor repassa informações contidas nos livros didáticos sem fazer com que os alunos pensem além daquilo que está escrito neles.
Para que a criança aprenda geografia e utilize esse conhecimento no seu dia-a-dia, é necessário que o professor ensine de uma forma contextualizada, fazendo assim com que seu aluno consiga estabelecer relações daquilo que está aprendendo com aquilo que ele presencia em seu cotidiano.
Uma das preocupações dos professores é a de “vencer os conteúdos” e por isso, acabam apenas repassando as informações contidas nos livros, sem ao menos trocar idéias ou conhecimentos com seus alunos. Ao apenas repassar as informações, fica bastante difícil que o aluno, por si só, estabeleça as relações daquilo que foi ensinado com aquilo que ele percebe em seu dia-a-dia. Para que o aluno consiga fazer a leitura da paisagem, é preciso que o professor saia do conceito de mera reprodução do que está visível, fazendo uma prévia leitura desse local
É preciso que os professores compreendam que a geografia não pode ser ensinada abordando apenas conteúdos geográficos, pois o espaço é resultado da ação do homem e está em constante transformação. Compreendendo o que está por trás desse espaço, fica mais fácil da criança, do jovem e do adulto, no caso da EJA, estabelecer relações com o mundo em que vive. A escola precisa conscientizar-se de que fazemos parte de um universo globalizado, com diferentes linguagens e códigos, e deste modo, precisa interagir com todas elas, através de diálogos.
A leitura (conhecimento e interpretação do espaço geográfico) e a escrita (representação deste espaço), em geografia, fazendo interface com outras disciplinas, permite ao aluno adquirir uma visão de mundo, reconhecendo e estabelecendo seu lugar no espaço geográfico, inserindo também a noção de uma possível exclusão.
Quando o professor ensina geografia, deve instigar seus alunos a lerem o mundo, ou seja, a observarem os espaços e perceber que aquele lugar tem influências históricas e que aquilo que ele está observando é o resultado da sociedade em que vivemos. Além disso, o educador deve proporcionar um momento de conversas, de trocas entre ele e os alunos, buscando fazer com que todos participem e posicionem-se diante daquilo que está sendo abordado.
Um dos objetivos da EJA é a formação de cidadãos, sendo assim, é necessário que esses estudantes sejam estimulados a dominar a palavra escrita para o conhecimento de si e do mundo, resgatando, desta forma, sua identidade e construindo sua cidadania.
Na leitura da geografia, tanto para a criança, quanto para jovens e adultos, deve-se valorizar as experiências vividas, trabalhando através de diversas fontes (texto, música, produção de mapas, etc), de forma problematizadora e reflexiva, instigando, desta forma, a criatividade e a curiosidade, estabelecendo a autonomia do pensar e do fazer.
Enfim, para que o ensino de geografia tome outro rumo senão o da disciplina “ decorativa”, é preciso que os professores conscientizem-se de que muitas mudanças são necessárias e que estas somente serão efetivada quando eles trouxerem para dentro da sala de aula o mundo de fora dela.
Ciências na escola

Síntese do capítulo de Ciências do livro “Ler e escrever : Compromisso de todas as áreas”
O domínio da linguagem escrita divide a humanidade em analfabetos e alfabetizados. Apesar de alfabetizadas, um grande número de pessoas em nossa sociedade não têm o hábito da leitura, a não ser dentro do ambiente escolar. A comunicação visual é predominante, principalmente a televisiva.
Enquanto que o livro nos permite refletir sobre o que foi escrito, a televisão nos apresenta informações prontas, ou seja, interpretadas, já discutidas e concluídas. Desta forma, a maior parte da população é induzida a pensar da mesma forma, sem refletir sobre o que foi dito.
Na escola, temos o hábito de utilizar a escrita desde as séries iniciais, quando somos alfabetizados. Mas, mesmo assim, com o passar do tempo, verifica-se que os alunos têm um vocabulário pobre, apresentam dificuldades de compreender o sentido de algumas frases, de utilizar os sinais de pontuação, dentre outros. Desta forma, podemos dizer que a leitura e a escrita não devem ser praticadas apenas nas aulas de português e de literatura, como de costume, mas sim em todas as outras disciplinas, fazendo assim com que os alunos escrevam mais, ampliando suas habilidades orais e escritas.
Nas aulas de ciências naturais, pode-se solicitar que os alunos elaborem questionários e apontamentos, além de interpretar e construir representações gráficas diversas.
A construção semântica das palavras utilizadas em ciências naturais deve ser abordada em sala de aula, pois existem termos que possuem um conjunto de significados socialmente compartilhados e devemos considerar que esses significados nem sempre são os mesmos na concepção das pessoas que participam de um grupo.
A linguagem utilizada na ciência escolar diferencia-se da linguagem utilizada cotidianamente pelos alunos, pois é uma linguagem específica e objetiva, próxima da escrita. Ela enfatiza um trabalho científico e geralmente é apresentada de modo impessoal e explicativo, através de conceitos. Desta forma, dependendo de como ela é trabalhada, ao invés de possibilitar a ampliação da leitura de mundo pelo aluno, ela possibilita a construção de um novo mundo, o mundo das ciências, que possui apenas palavras próprias, desconhecidas por eles até o momento.
Para que o aluno consiga ler o mundo a partir das ciências, é necessário que o professor estabeleça relações significativas entre o conhecimento científico ensinado na escola e a ciência e tecnologias presentes no nosso cotidiano.
O termo alfabetização em ciências vem sendo utilizado por muitos autores, devido à necessidade percebida em fazer com que a ciência escolar possibilite ao indivíduo fazer uma análise crítica dos fatos que ocorrem no cotidiano, veiculados pelos meios de comunicação.
Também é necessário que o professor mostre que a ciência não é detentora da verdade, nem mesmo neutra.
Enquanto a tecnologia e a ciência evoluem, nós, na maioria das vezes, recebemos as informações sem compreendermos o que elas significam, como por exemplo, no caso dos rótulos dos produtos que consumimos diariamente, nos quais existem uma relação de termos científicos que, apesar de termos acesso, seus significados não são abordados no nosso cotidiano, nem mesmo na escola.
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