segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Linguagem e ensino da língua


Linguagem, dialetos e o ensino de Português

Sabemos que existem, segundo Geraldi, três tipos de linguagem contudo a que ele se aprofunda é a concepção dessa como forma de interação. Junto a isso é preciso lembrar dos meios de ensino da língua portuguesa, os quais devem ser repensados para que se tenham aprendizagens significativas nas salas de aula.
Há três diferentes concepções de linguagem, são elas: a linguagem como expressão de pensamentos (na qual quem não consegue se expressar é taxado como alguém que não pensa), a linguagem como instrumento de comunicação (a língua é um código que serve para transmitir mensagens) e a linguagem como forma de interação (os falantes da mesma interagem entre si e se tornam sujeitos). Conforme Geraldi, o foco principal de seu texto é a terceira concepção a qual também concordo ser a que mereça maior destaque. Tal modo de conceber a linguagem envolve não somente a língua escrita, mas também se debruça sobre a língua falada além de compreender que coexistem dialetos diferentes na nossa língua. Esses surgem devido a democratização escolar pois, atualmente, os educandos pertencem a diversas classes sociais possuindo formas variadas de falar. É necessário entender que essas linguagens, ou melhor, esses dialetos não são inferiores a chamada língua culta/padrão; eles são apenas diferentes e o professor precisa repensar sua prática a fim de ensinar aos alunos outra maneira de se usar a língua portuguesa. Não é porque as crianças não usam a língua padrão no cotidiano que elas não devem aprendê-la isso é preciso, todavia deve ser feito de uma maneira significativa e não com meras repetições de exercícios gramaticais.
Os meios de ensinar língua portuguesa nas escolas, geralmente, só se preocupam com a forma padrão fazendo distinção sobre as variedades existentes, além de discriminá-las. Concomitante a isso, Possenti afirma que precisamos ter bem claro o conceito de criança e de língua, sendo que esses podem ser observados na prática cotidiana. Logo, perceberemos que qualquer criança é capaz de aprender uma língua uma vez que domina as regras necessárias para falar a mesma; mesmo que as línguas sejam sistemas complexos, as crianças são capazes de aprendê-las. Além disso é preciso ressaltar o fato de diferentes dialetos coexistirem na nossa língua materna e que eles estão dentro das salas de aula. Portanto o professor deve ter ciência disso e de que é preciso ensinar a maneira "culta" da língua sem desvalorizar o jeito de cada um. Com isso, ensinar formas que nem se ouve e que pouco se encontra diariamente, é perder tempo de aula e cobrar isso dos alunos não faz sentido algum. Ao invés de fazer uso de livros literários, escritos no passado e com uma linguagem "ultrapassada", pode-se trazer para a classe jornais, revistas, informações da internet, ou seja, meios onde a linguagem seja mais contextualizada e próxima da vida diária dos estudantes. Claro que é possível utilizar tais livros, mas penso que se deter a eles, e a gramática, é um meio pobre de dar aula de língua portuguesa além de, provavelmente, não despertar tanto interesse nos alunos.
Enfim, concordo com Possenti ao afirmar que a diferença mais significativa é o valor social atribuído a cada variedade da língua, visto que há uma segregação, entre os falantes de dialetos populares e padrões, na qual esses últimos são mais valorizados em detrimento dos outros. Portanto cabe aos professores iniciarem uma mudança de pensamento, mostrando que essas variedades existem e devem ser respeitadas. É preciso ensinar os alunos que cada dialeto tem uma "situação social" em que é usado e promover experiências práticas para eles compreenderem isso. Então fica claro que, nos dias de hoje, ensinar Português baseado somente na gramática e em exercícios de repetição é uma forma de ensino sem significado e que precisa ser repensada visando aprendizagens de qualidade para todas as crianças.
LER TODO O ARTIGO...

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Atividade de Ciências Sociais

LER TODO O ARTIGO...

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Perfil dos educadores da EJA


Muitos dos educadores que hoje atuam na EJA possuem formação superior, mas, em sua maioria, são habilitados apenas para trabalharem no ensino fundamental e no ensino médio regulares. São poucos os cursos de graduação que oferecem, em sua grade curricular, capacitação para que seus alunos, futuros educadores, preparem-se para trabalhar com educandos que retornam à escola mais tarde para concluir seus estudos.
Segundo o Parecer 11/2000, as instituições que se ocupam da formação de professores são instadas a oferecer habilitação em seus processos seletivos. Para atender a essa finalidade elas deverão buscar os melhores meios para satisfazer os estudantes matriculados. As licenciaturas e outras habilitações ligadas aos profissionais do ensino não podem deixar de considerar, em seus cursos, a realidade da EJA.
O jovem e o adulto que freqüentam a escola carregam consigo uma história de vida e conhecimentos adquiridos fora da educação formal e é em cima desses saberes e vivências que o educador da EJA deverá trabalhar. Esse profissional deverá estar capacitado para conseguir ensinar de forma significativa, sabendo, para isso, realizar a mediação entre o conhecimento que seus alunos trazem das práticas cotidianas e o conteúdo estabelecido pelo currículo da escola. Sendo assim, o professor que trabalha com crianças e adolescentes não poderá trabalhar da mesma forma com jovens e adultos, por isso sua formação deverá ser diferenciada.
Além disso, o educador da EJA atende alunos com diferentes faixas etárias numa mesma sala de aula, ou seja, esse profissional deverá trabalhar de uma forma significativa para todos eles, independente de sua fase de desenvolvimento biológico. Para isso, é necessário que esse educador conheça seus alunos através das trocas de vivências e saberes em sala de aula.
Em muitas das escolas de EJA percebe-se que os educadores trabalham com seus alunos de forma infantilizada, sem objetivo algum nas atividades propostas, como por exemplo, quando disponibilizam desenhos para pintar. Um dos objetivos da EJA é formar cidadãos e, para isso, é preciso que esses jovens e adultos aprendam para participar efetivamente de nossa sociedade, através de um planejamento que vise a formação de pessoas que saibam posicionar-se e pensar de forma crítica sobre a realidade.

Referências Bibliográficas
OTERO, Elisabete de Sousa. ARMELLINI, ALLGAYER, Renita Lourdes. BAQUERO, Rute Vivian Ângelo. Alfabetização de adultos. Porto Alegre, RS; Ed da Universidade/UFRGS, 1993.
http://www.faculdadeexpoente.edu.br/upload/noticiasarquivos/1243985854.PDF - dia27/09/10, às 10h

http://www.cereja.org.br/pdf/20041117_Francisca.pdf - dia 27/09/10, às 9h30min
http://www.crmariocovas.sp.gov.br/pdf/diretrizes_p0645-0712_c.pdf - dia 27/09/10, às 9h.
LER TODO O ARTIGO...

Desmotivação nas escolas de EJA


1- APRESENTAÇÃO:

Esta análise reflexiva foi elaborada a partir da observação realizada em um colégio na cidade de Porto Alegre/RS.

2- ANÁLISE REFLEXIVA
Desmotivação, uma das causas de evasão na EJA.
A EJA foi implementada para que jovens e adultos tenham a oportunidade de iniciar ou continuar seus estudos, uma vez que não freqüentaram a escola em idade apropriada. Durante o início do ano letivo, conforme declaração dos alunos de uma escola de Porto Alegre, as salas de aula estão cheias, mas com o passar do tempo, segundo constatado na visita realizada à escola, o número de alunos reduz-se a menos da metade. Uma das causas desta evasão está na proposta pedagógica desqualificada e desmotivadora, utilizada pelo professor ao ministrar os conteúdos propostos.
Segundo as Diretrizes Curriculares Nacionais para a EJA, a Educação de Jovens e Adultos representa uma promessa de efetivar um caminho de desenvolvimento de todas as pessoas, de todas as idades. Nela, adolescentes, jovens, adultos e idosos poderão atualizar conhecimentos, mostrar habilidades, trocar experiências e ter acesso a novas regiões do trabalho e da cultura. Para que isso aconteça, é necessário que haja a possibilidade do diálogo em sala de aula, oportunizando a troca de saberes entre professor e alunos.
Partir dos saberes, conhecimentos, interrogações e significados que aprenderam em suas trajetórias de vida será um ponto de partida para uma pedagogia que se paute pelo diálogo entre os saberes escolares e sociais. Este diálogo exigirá um trato sistemático desses saberes e significados, alargando-os e propiciando o acesso aos saberes, conhecimentos, significados e a cultura acumulados pela sociedade. (ARROYO, 2005, p. 35)

Trabalhar em cima dos conhecimentos prévios do aluno é uma das propostas do método Paulo Freire. Partindo dessa forma de ensino, o professor dará ao aluno condições de estabelecer relações daquilo que está aprendendo com as situações que vivencia no seu cotidiano.
Infelizmente, considerando a observação realizada, não é desta forma que os professores da EJA vêm trabalhando em sala de aula. Os conteúdos são disponibilizados no quadro de forma descontextualizada, apenas para serem copiados a resolvidos. O educador tem o conhecimento e o aluno deve apenas escutar e concordar com o que está sendo dito, sem ter a oportunidade de expor seus pensamentos e conhecimentos trazidos de fora da escola. Desta forma, não há a interação que possibilita a construção do conhecimento, uma vez que os conteúdos são despejados aos educandos da mesma forma para todos, sem considerar o que cada um tem a dizer sobre aquele assunto.
Outro dos fatores que desmotivam o aluno a continuar estudando são as constantes ausências de professores nos períodos de aula. As faltas são freqüentes, conforme o observado, configurando o desinteresse da escola diante de seus educandos.
Penso que muitos dos alunos da EJA desistem de continuar no curso, pois são influenciados pelo descaso, tanto pela falta de compromisso dos professores quanto pela metodologia utilizada que não contribui em nada para a aquisição de conhecimento e formação de cidadãos, como propõe a EJA. Para que a evasão seja amenizada, é necessário que os professores reflitam de forma crítica sobre o trabalho que vêm desenvolvendo, conscientizando-se de seu papel diante do futuro de seus alunos. Trabalhar de uma forma significativa e interessante é possível, basta o professor considerar e valorizar seus educandos.

3- REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ARROYO, Miguel Gonzalez. Educação de Jovens-Adultos: um campo de direitos e de responsabilidade pública. Belo Horizonte, Autêntica, 2005.
SOARES, Leôncio. Educação de jovens e adultos, Rio de Janeiro: DP&A, 2002.
LER TODO O ARTIGO...

As grandes metrópoles


Texto reflexivo sobre as metrópoles
Nos dias de hoje, vivemos em grandes metrópoles, caracterizadas por apresentarem uma paisagem constituída por muitos prédios, trânsito intenso e pessoas “aglomeradas”. Devido a isso, a poluição do ar, sonora e auditiva tomaram conta das grandes cidades.
Devido à correria do dia-a-dia, as pessoas não têm mais tempo de relacionarem-se umas com as outras, causando, desta forma, um distanciamento entre elas.. As crianças não saem mais para brincar nas ruas, onde os carros e a criminalidade tomam conta, restringindo o espaço de divertimento a parques privados. Adultos não recebem mais os amigos em suas casas como antigamente, pois encontram-se em shoppings, restaurantes e em outros lugares privados e, muitas vezes, comunicam-se apenas pela internet.
A população das metrópoles é caracterizada por pessoas de classes sociais diferenciadas. Os miseráveis são pessoas que vieram da área rural para a cidade devido à mecanização do trabalho e, sem escolaridade, passaram a viver nas ruas.
Ricos, pobres e trabalhadores ocupam espaços diferenciados nas cidades. Enquanto os ricos ocupam espaços nobres, os pobres vivem em espaços constituídos por favelas.
A contínua construção de prédios caracteriza a verticalização das metrópoles. As paisagens naturais estão se extinguindo cada vez mais devido a isso e o pouco que há dela, está sendo apropriada pelas construtoras que destinam suas construções para um público elitizado e para o comércio. Em conseqüência disso, as pessoas pobres acabam sendo excluídas, perdendo um espaço que antes era de toda a população.
Enfim, com o passar dos anos, se continuarmos nesse ritmo de vida, a paisagem natural desaparecerá totalmente e viveremos em cidades sombrias, onde os prédios impossibilitarão a luminosidade do sol e as pessoas estarão cada vez mais distanciadas.
LER TODO O ARTIGO...

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Slides sobre Literatura

LER TODO O ARTIGO...

Ensinando Língua Portuguesa

Esses slides apresentam considerações retiradas do capítulo referente à Língua Portuguêsa do livro "Ler e escrever, um compromisso de todas as áreas"


LER TODO O ARTIGO...

O Ensino da Matemática


Síntese dos capítulos de Matemática do livro “Ler e escrever : Compromisso de todas as áreas”

Ler, escrever e compreender a matemática, ao invés de tropeçar nos símbolos

A matemática desperta, em muitas pessoas, sentimentos desagradáveis, por ser considerada uma matéria de difícil compreensão. Ela geralmente é associada à ciência e muitos acreditam que poucos podem compreendê-la, devido à sua complexidade, apesar de estar sempre presente no nosso dia-a-dia.
Esta visão distorcida da matemática ocorre devido ao modo como as escolas vêm trabalhando com esta disciplina, pois ela é ensinada sem que haja a preocupação de estabelecerem-se vínculos com a realidade, nem com o cotidiano do aluno.
A matemática ocupa um espaço muito importante em nossa comunicação, como também nos permite entender e compreender o contexto social, bem como, o mundo em que vivemos.
Para que possamos expor nossas idéias ou formular mentalmente aspectos da nossa realidade, transformando-as em conceitos, temos que utilizar uma variedade de elementos de comunicação, que são chamados de símbolos, e estes constituem a linguagem matemática. A linguagem matemática está presente em quase todas as áreas do conhecimento, por isso, dominá-las passou a ser necessário, considerado o contexto do dia-a-dia.
A escola tem fracassado no papel de ensinar matemática e, decorrente disso, alguns alunos não conseguem saciar as dificuldades e acabam evadindo a escola, enquanto que outros, mesmo continuando na escola, não conseguem romper com o analfabetismo matemático.
Para ser alfabetizado em matemática, precisa-se entender o que se lê e o que se escreve, sem perder a dimensão social e cultural, indo-se em busca da significação do ato de ler e escrever, presentes nas práticas diárias. Quando o aluno entra na comunicação escrita, está na hora de entrarmos no mundo dos símbolos matemáticos. Desta forma, a criança vai elaborando os conceitos e adquirindo o vocabulário correspondente, apropriando-se da utilização dessas simbologias.



Da linguagem aritmética à linguagem algébrica: dos números para as letras

Os alunos, desde as primeiras séries do ensino fundamental, trabalham a matemática somente através de números. No momento de aprender álgebra, na 6ª série do ensino fundamental, entram em contato com as letras dentro de um cálculo matemático, passando, geralmente a apresentar alguma dificuldade em resolvê-lo.
Na álgebra, as letras são utilizadas como estratégia para resolver uma incógnita, mas para o aluno, acostumado a utilizar apenas números, esse simbolismo é de difícil compreensão e assimilação.

Símbolos

Na aritmética, o sinal de igual, por exemplo, é utilizado de forma unidimensional, ou seja, à esquerda indica a operação e à direita, o resultado. Na álgebra, o sinal de igual é utilizado para conectar o problema, apresentando um caráter bidimensional, ou seja, atuando tanto da direita para a esquerda quanto da esquerda para a direita.

Aritmética Álgebra
2 x 2 = 4 x² - 4=0

Letras

A dificuldade encontrada pelos alunos que estão aprendendo álgebra está em entender o uso e o significado das letras. Essa dificuldade também está relacionada com a concepção de número e não somente à introdução da letra no cálculo.
É importante que o professor mostre ao aluno e o faça entender o conceito de que, na álgebra, as letras funcionam como variáveis, mostrando a ele diversos cálculos contendo letras e explicando o significado de cada uma delas.

Ex:
3a + 5b + 8a – 2b =
Neste caso, a letra não tem significado, funciona como um objeto.

Variáveis

O professor deve fazer com que o aluno compreenda que a letra como uma variável representa um conjunto de valores não específicos.
Para que o aluno compreenda este conceito são necessários 2 processos:
• Generalização: permite passar de um conjunto de situações concretas a algum aspecto comum a todas elas.
• Simbolização: permite expressar de forma abreviada o que têm em comum todas as situações.

O professor deve apresentar diferentes situações para que o aluno possa identificar o conceito de variável, para assim, poder generalizá-lo.

A álgebra é uma linguagem, e o professor deve ensinar sua tradução: da linguagem natural à linguagem algébrica e vice-versa. Sua aprendizagem ocorre quando o aluno compreende o uso dessa linguagem, deixando apenas de utilizá-la como manipulação de símbolos.
Ao corrigir os exercícios de seus alunos, o professor deve analisar como e porquê o aluno está errando, indo em busca das causas do erro e das dificuldades que estão sendo encontradas, para então, trabalhar de forma que o aluno possa reordenar e reorganizar seus conhecimentos prévios passando, então, a assimilar esses novos conhecimentos.

Leitura e escrita na matemática

A matemática geralmente é vista somente em seu aspecto formal e em sua linguagem simbólica; com isso ela acabando ficando isolada da história dos homens e é tida como um complexo quebra-cabeça. Além disso, todos nós sabemos dizer se gostamos ou não de matemática, porém na hora de conceituá-la fica mais complicado.
Ler matemática
Os sujeitos não-matemáticos tem dificuldades para compreender a linguagem e o conteúdo da matemática, visto que esses se confundem, mesmo assim todos as pessoas reconhecem que ela é importante. Isso ocorre pois a matemática está presente em vários lugares/situações, entretanto essa área de conhecimento é uma das mais incompreendidas pela população e que tem altos índices de reprovação na escola.
O texto aponta três principais dificuldades com a matemática:
1) Desconhecer os limites da mesma;
2) Não compreender sua relação com as outras áreas de conhecimento;
3) Impossibilidade de leitura e escrita dessa linguagem.
A linguagem matemática é universal nas escolas e seu ensino é incluído em todos os currículos, no entanto os povos a utilizam em diversas atividades que nem sempre aparecem nos currículos escolares.
Essa área do conhecimento possui uma linguagem repleta de símbolos a qual, muitas vezes, é tida como único meio de representar ideias e resultados; mas, a autora diz que experiências feitas com crianças mostraram que é importante passar por linguagens diferentes (como a língua materna e a linguagem com imagens) ao ensinar conceitos matemáticos. Muitas pessoas não compreendem um conteúdo, não dizem o que sabem dessa área ou não fazem matemática devido à linguagem utilizada (e seus vários símbolos), por isso apresentam dificuldade em ler e escrever na linguagem matemática. Para isso o texto apresenta duas soluções:
a) Utilizar a linguagem habitual para escrever e explicar resultados matemáticos;
b) Auxiliar as pessoas a compreenderem os símbolos, sinais e notações.
Ler é compreender o que está escrito e não apenas decodificar os sinais apresentados; o ato de leitura não pode ser memorização e sim compreensão a qual deve sempre ser trabalhada já que não acontece por acaso. Outro ponto importante, mas talvez pouco explorado, é o contexto da matemática em que está o conteúdo trabalhado e qual sua relação com o mundo.
Concepções sobre apropriação da realidade
A realidade deve ser vista de forma abrangente, porque está sempre em movimento, nada está parado ou acabado e por trás das representações existe uma essência ativa que não pode reduzir-se a totalidade absoluta, mesmo que essa seja a natureza. Também é preciso, segundo o texto, ter consciência de que o ser humano vive simultaneamente na natureza e na história.
O cientificismo é alicerçado em dogmas, como “só é verdadeiro e real o conhecimento científico”, “o conhecimento deve ser dividido em partes/especialidades” (na sua transmissão e desenvolvimento) e “o conhecimento tem como base unicamente a razão”. Sendo assim as reflexões sobre o homem e seu lugar no mundo são ignoradas, bem como as explicações sobre origem e causa de fenômenos. Esse tipo de conhecimento é metafísico e, segundo a autora, não tem valor teórico.
Na história poderemos descobrir a grandeza fundamental da realidade humana e o indivíduo que decide fazer isso deverá assumir-se como ser social (suas ações e opções estão ligadas e são impostas pelo meio em que está inserido e do qual depende), como ser histórico (que age e influencia o meio num determinado momento histórico) e como pesquisador (que busca a origem/essência das representações da realidade).
A corrente positivista reduziu a compreensão da realidade ao mundo físico/quantificável, todavia existem outros como o artístico, o biológico, o psicológico, etc. Para entender cada aspecto desses é necessário ter uma intencionalidade; então para compreender a matemática e a realidade por ela introduzida, por exemplo, é preciso ter uma intenção especial voltada para essa área de conhecimento.
A matemática parece estar afastada da cultura e história dos homens, surgindo apenas em seu mundo simbólico, contudo sua evolução ao longo dos tempos partiu de um conceito metodológico empírico (a matemática estava ligada a cultura e a sociedade da época) para as características de ciência extremamente simbólica (rigor lógico e excesso de formalismo). Há uma ruptura entre teoria e prática; a partir do matemático Euclides, passam a conceber a matemática como algo abstrato, teórico, que tem preocupação com o raciocínio e a exatidão da forma. As mudanças matemáticas são consequência de fatores sociais que estão relacionados ao trabalho criativo de pesquisadores que vivem em determinada época.
Observa-se que, partindo da época de Euclides, as prioridades da matemática estão ligadas a expansão da pesquisa que se dá por meio do método de dedução. Isso acontece para construir um modelo formal e racional (que seja isento de contradições) que analisa questões teóricas e busca aperfeiçoar a linguagem simbólica que utiliza.
Aparentemente o que é valorizado é simbólico e abstrato, porém isso não quer dizer que o conteúdo de matemática seja somente isso e sim que ele se apresenta desse jeito; logo, a maioria dos sujeitos não tem acesso a esse tipo de conhecimento. Resumindo, os matemáticos acabaram por construir muitas teorias que dispensam a realidade dos seres humanos e essa área do conhecimento é tida como auto-suficiente.
Crítica ao formalismo matemático
A autora destaca a influência de três tendências distintas dentro da matemática, as quais são dirigidas pelas correntes filosóficas do logicismo, intuicionismo e formalismo; essas são resultado de contradições teóricas que acontecem com o passar dos anos.
A matemática vem avançando e sendo aprimorada, bem como seus resultados vem dando ótimas contribuições para a sociedade no que diz respeito à utilidade em outras áreas e ao desenvolvimento tecnológico.
Ao criticar o formalismo é preciso mostrar que ele extingue elementos que expressariam a matemática como construção do ser humano, na qual encontramos contradições, caminhos alternativos e não podemos comprovar o caráter neutro e objetivo dessa área do conhecimento. Portanto, a matemática formalizada dos livros escolares é bem rígida e abstrata, além disso, nessa teoria não há espaço para a história da descoberta, não se abrange os erros e muito menos fazer novas descobertas.
Os teoremas precisam ser explicados e para isso é necessário fazer uso de um tipo de raciocínio que inicia em noções primitivas (verdades evidentes) e se desenvolve por meio de uma rede de deduções.
Escrever matemática
A autora salienta que todos os indivíduos devem participar do processo de criação visto que essa experiência resulta em encanto e prazer. Entretanto, a escola geralmente não valoriza as representações espontâneas que as crianças possuem e a escrita vem de fora, é imposta pelos professores.
Assim também acontece com a linguagem matemática a qual é imposta para alunos de todos os níveis escolares. Ao invés de deixar os alunos criarem hipóteses, os professores muitas vezes ensinam passo a passo como fazer e realizam muitos exercícios parecidos a fim de que os alunos fixem o que foi ensinado.
Há diferenças entre a linguagem comum (usada no cotidiano) e a linguagem matemática (é muito precisa e deveria facilitar o registro do conhecimento científico) e até o aluno ter capacidade para utilizar essa linguagem formalizada é necessário que ele compreenda o significado de conceitos e/ou teorias trabalhados. Também é preciso que o aluno consiga falar e escrever sobre o conceito/teoria na linguagem habitual para depois transpô-lo para a linguagem simbólica.
Como bem sabemos existem conhecimentos científicos e populares, mas geralmente só o primeiro tipo é valorizado; para a autora esses conhecimento são únicos e sua diferença consiste no jeito de perceber e analisar o objeto de estudo.
Para averiguar que o conhecimento matemático tem um objeto real que não se desenvolve somente no plano das ideias ou no nível simbólico, é necessário resgatar a história da matemática e sua construção ao longo do tempo. É preciso ter consciência de que os conhecimentos científicos, dentre eles o matemático, colaboram para que o ser humano compreenda melhor a sua realidade.
A matemática é fruto de construções humanas e seu ensino não pode deter-se as teorias formalizadas; é preciso revelar a ligação entre essa área do conhecimento e as demais áreas, bem como sua relação com o mundo e sua inclusão na realidade histórico-social. Ensinar matemática é criar meios para que os alunos possam ser capazes de construir conhecimentos e agirem ininterruptamente como pesquisadores.
LER TODO O ARTIGO...
 
2009 Template Scrap Rústico|Templates e Acessórios